nada de novo no front. estou resfriado, esperando a cura. os projetos se acumulam. as vontades percorrem os ralos. tudo suspenso num mundo onde você nunca esteve. nem as madrugadas frias em que percorriamos os trilhos são mais amenas. nem o vento forte que bate na janela me faz levantar. nem o tiro na madrugada que espanta fantasmas e cria mistérios me traz outras vontades de descobrir novamente o mundo. as mão vazias. papéis amassados na memória das histórias que nós nunca tivemos. a greve dos correios espanta as cartas que nunca foram escritas. que nunca serão enviadas. por falta de destino. que a nossa intimidade tem se feito nas distâncias e não compreendemos mais isso. você está agora onde nós nunca estivemos. nós nunca estivemos na mesma fotografia. nós nunca numa memória inteira. a intimidade com as partidas. os ônibus. as mensagens de texto pronunciando adeus antes mesmo de. as bagagens. todos foram embora. o texto na tela exalando lágrimas que não são nossas. a história sendo contada ao contrário. acreditamos. (…) . vi uma foto e acredito que seja sua. era clara de uma face espantada e feliz. vi essa foto e quis você novamente. não sei por que uso novamente se nunca nós. falar liberta. aqui matamos deus e seguimos atravessando a fronteira do méxico. t.r.
vinaigre (via Clotilde Boisrenard)
(via hardxpln)